Petróleo em Alta com Escalada Geopolítica no Oriente Médio


Os preços do petróleo iniciaram a semana em trajetória de valorização, impulsionados pela intensificação das tensões no Oriente Médio e pelo impasse nas negociações de paz envolvendo o Irã. O cenário de risco geopolítico elevou os contratos futuros das principais referências internacionais. 
  • Brent: Avançava 0,76%, cotado a US$ 110,10 por barril às 4h51 (horário de Brasília), após ter atingido US$ 112, o maior patamar desde 5 de maio.
  • WTI: Subia 1,02%, negociado a US$ 106,50 por barril, depois de alcançar US$ 108,70, o nível mais alto desde 30 de abril. O contrato de junho expira nesta terça-feira (19/05).
Na semana anterior, ambos os benchmarks acumularam ganhos superiores a 7%, refletindo a deterioração das expectativas de acordo para encerrar os ataques e apreensões de embarcações no estratégico Estreito de Ormuz.

O ambiente de incerteza foi agravado por ataques de drones contra infraestrutura crítica nos Emirados Árabes Unidos e na Arábia Saudita, além da retórica beligerante entre Washington e Teerã. Autoridades emiradenses investigam a ofensiva contra a usina nuclear de Barakah, enquanto Riad interceptou drones provenientes do espaço aéreo iraquiano e prometeu resposta proporcional.

Segundo analistas, o risco de ataques por procuração contra ativos energéticos da região permanece elevado. “Novos bombardeios dos EUA ou de Israel podem desencadear represálias contra a infraestrutura do Golfo”, avaliou Tony Sycamore, da IG Markets.

O presidente norte-americano Donald Trump deve se reunir nesta terça-feira com conselheiros de segurança nacional para discutir opções militares em relação ao Irã, informou o Axios. A ausência de apoio da China, maior importador global de petróleo, após conversas recentes entre Trump e Xi Jinping, reforça a percepção de isolamento diplomático.

Outro fator de sustentação para os preços foi a decisão do governo norte-americano de deixar expirar a isenção de sanções que permitia a países como a Índia importar petróleo russo por via marítima. Para Vandana Hari, da Vanda Insights, “a combinação de tensões militares e restrições de oferta amplia a pressão altista sobre o mercado”.

Em síntese, o petróleo segue sensível ao risco geopolítico, com os preços refletindo tanto a ameaça de interrupções na oferta quanto o endurecimento das sanções energéticas. O mercado observa atentamente os desdobramentos das reuniões em Washington e a resposta dos países do Golfo.

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