As mais recentes declarações financeiras do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelam uma movimentação incomum no mercado: mais de 3.700 operações realizadas apenas no primeiro trimestre de 2026, envolvendo dezenas de milhões de dólares. Os documentos, protocolados no Escritório de Ética Governamental na última quinta-feira (14), detalham compras e vendas em faixas amplas de valores, dificultando a estimativa precisa, mas evidenciando um ritmo intenso — mais de 40 transações por dia.
Entre os ativos adquiridos estão ações de gigantes como Nvidia, Oracle, Microsoft, Boeing e Costco, além de operações envolvendo eBay, Abbott Laboratories, Uber, AT&T e Dollar Tree. Segundo Matthew Tuttle, CEO da Tuttle Capital Management, o volume “se assemelha mais ao que faria um hedge fund com trades algorítmicos do que uma conta pessoal”.
A divulgação reacende o debate sobre possíveis conflitos de interesse. Diferentemente de seus antecessores, Trump não transferiu seus ativos para um blind trust independente; seu império empresarial segue administrado por dois de seus filhos. Paralelamente, seu genro Jared Kushner gerencia investimentos bilionários ligados a países do Oriente Médio, enquanto atua como enviado em questões diplomáticas da região.
A Casa Branca, por meio do porta-voz David Ingle, afirmou que Trump “age sempre no melhor interesse do público americano” e negou qualquer conflito. Já a Trump Organization declarou que as participações são geridas por instituições financeiras terceirizadas, com decisões automatizadas, sem envolvimento direto da família.
O ritmo atual supera os registros anteriores: no quarto trimestre de 2025, Trump havia declarado apenas 380 operações, em sua maioria títulos municipais. Desde o início de seu segundo mandato, em janeiro de 2025, já foram reportadas mais de 4.000 transações, somando pelo menos US$ 103,7 milhões em ativos.

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