Ibovespa Sobe com Tensão nos Juros e Risco de Greve de Caminhoneiros


O Ibovespa (#IBOV) fechou esta terça-feira (17/03) com leve valorização de 0,30%, aos 180.409,73 pontos, mas perdeu fôlego na reta final diante da pressão na curva de juros doméstica. O volume financeiro totalizou R$ 19,8 bilhões, abaixo da média móvel de 50 pregões (R$ 22,5 bilhões), sinalizando menor apetite e convicção por parte dos investidores. Durante o dia, o contrato futuro do índice chegou a indicar um viés mais positivo, mas também desacelerou com a deterioração do ambiente local. 

O pregão foi marcado pela combinação de fatores internos e externos. No Brasil, a principal fonte de volatilidade foi a ameaça de uma paralisação nacional de caminhoneiros, impulsionada pela alta do diesel, o que elevou as preocupações com o quadro fiscal e inflacionário. Esse cenário pressionou a curva de juros, que chegou a avançar até 30 pontos-base no momento de maior tensão. Apesar da atuação do Tesouro Nacional, incluindo recompra relevante de NTN-Bs, o impacto foi limitado diante das incertezas políticas.

No cenário internacional, o ambiente também contribuiu para a cautela. A intensificação do conflito no Oriente Médio, com ataques iranianos a navios e estruturas nos Emirados Árabes Unidos, elevou o preço do petróleo Brent e reacendeu temores sobre a inflação global. Em contrapartida, a queda do DXY trouxe algum alívio para o câmbio, enquanto a valorização do minério de ferro favoreceu parcialmente ativos ligados a commodities.


No noticiário corporativo, o destaque ficou para a Natura (#NTCO3), que avançou 8,46% após divulgar resultados acima das expectativas, com melhora operacional e maior controle de custos.

Outros desempenhos positivos relevantes foram:
  • CSN (#CSNA3): +5,14%, impulsionada pela alta do minério de ferro
  • PRIO (#PRIO3): +4,83%, acompanhando a valorização do petróleo

Entre as principais contribuições para o índice, destacaram-se:
  • Petrobras (PETR4): +1,76%
  • Sabesp (SBSP3): +2,66%

No volume negociado, Petrobras, Vale e os grandes bancos lideraram o giro, evidenciando a relevância dos setores de commodities e financeiro, além do fluxo estrangeiro na dinâmica do pregão.

A curva de juros apresentou forte inclinação ao longo do dia, com os contratos futuros de DI encerrando em alta de até 14 pontos-base, após atingirem quase 30 pontos-base no pico de estresse. O movimento foi mais acentuado nos vértices intermediários e longos, refletindo o aumento da percepção de risco fiscal e inflacionário, especialmente diante da possibilidade de greve dos caminhoneiros.

Os vencimentos mais curtos também subiram, embora de forma mais contida, acompanhando ajustes nas expectativas para a política monetária. Entre os contratos com maior liquidez, destacaram-se os vencimentos em 2027, 2029 e 2031, que concentraram boa parte da volatilidade ao longo da sessão.

Comentar

Postagem Anterior Próxima Postagem