Após oscilar acima de R$ 5,30 durante parte da manhã, o Dólar (#USD) perdeu força e encerrou a sexta-feira (06/03) em queda no mercado brasileiro. A moeda fechou o dia com baixa de 0,88%, a R$ 5,2414, pressionada por maior entrada de fluxo vendedor quando a moeda atingiu níveis mais elevados. Exportadores aproveitaram o patamar acima de R$ 5,30 para vender divisas, aumentando a oferta no mercado e empurrando a cotação para baixo ao longo da tarde.
Apesar da queda desta sexta-feira, o desempenho semanal foi negativo para o real. A moeda norte-americana acumulou alta de 2,08% na semana, refletindo o ambiente de aversão ao risco nos mercados globais diante das tensões relacionadas à guerra no Oriente Médio. No acumulado de 2026, porém, o dólar ainda registra desvalorização de 4,51% frente à moeda brasileira.
O comportamento do dólar no Brasil ao longo do dia refletiu a combinação de fatores locais e globais. Pela manhã, a busca por segurança levou investidores a reduzir exposição a ativos de risco e comprar dólares, pressionando moedas emergentes. Esse movimento levou o câmbio à máxima de R$ 5,3215 por volta das 11h10. No entanto, sempre que a cotação se aproximava desse patamar, exportadores intensificavam a venda de moeda estrangeira no mercado à vista, elevando a oferta de dólares e revertendo a tendência de alta.
Durante a sessão, o Banco Central também realizou um leilão de 50 mil contratos de swap cambial para rolagem de vencimentos programados para abril. A operação, entretanto, teve efeito limitado sobre as cotações, sendo interpretada pelo mercado como parte da rotina de gestão de liquidez cambial.
No cenário internacional, a moeda norte-americana perdeu força após a divulgação de dados inesperados do mercado de trabalho dos Estados Unidos. O relatório de empregos (Payroll) indicou fechamento de 92 mil vagas fora do setor agrícola em fevereiro, enquanto economistas consultados pela Reuters projetavam a criação de 59 mil postos. A surpresa negativa aumentou as apostas de que o Federal Reserve poderá reduzir juros no curto prazo. Como reação, os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA recuaram e o dólar perdeu valor frente a outras moedas globais.
O movimento também foi refletido no índice do Dólar (#DXY), que mede o desempenho da divisa frente a uma cesta de moedas fortes. O indicador caiu 0,08%, para 98,971 pontos, ajudando a aliviar parte da pressão cambial observada em mercados emergentes, incluindo o Brasil.
No mercado de derivativos da bolsa brasileira, o comportamento acompanhou a virada observada no câmbio à vista. O contrato futuro de #Dólar (#DOLFUT • #WDOFUT) com vencimento em abril — o mais líquido da sessão — encerrou a sexta-feira em queda de 0,55%, cotado a R$ 5,2735 por volta das 17h05.
A queda do contrato futuro foi menor que a registrada no mercado à vista, indicando que parte dos investidores ainda mantém cautela em relação aos próximos meses. As incertezas geopolíticas e as dúvidas sobre a trajetória da política monetária norte-americana seguem sustentando um pequeno prêmio no mercado futuro em relação ao dólar comercial, refletindo custos de carregamento e expectativas de volatilidade cambial à frente.

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